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sábado, 21 de agosto de 2010

BALADA
             DA
                  DOR


Tristezas que doem
por dentro moem
ao ver desgraças acontecerem.
Águas que levam
no mais alto se elevam
fazendo tantos sofrerem!
São arrastadas
as mais pobres e as abastadas
criaturas humanas!
Triste situação
todos no chão
em condição desumana.
O rico e o pobre
alguns de alma nobre
misturados na morte.
Outros conseguiram
e nem sequer fugiram
foi Deus ou foi sorte?,,,
À volta só resta
o ar que infesta
e não adianta chorar!
É dor, solidão
da grande traição
que veio do mar!
Nas covas abertas
a alma deserta
e uma pergunta no ar...
Por que aqui tão lindo?
Se tudo está findo?...
"É Deus a governar!"

Balada da Dor, dei esse nome porque
escrevi de momento, no dia 28 de dezembro de 2004,  em  decorrencia da trajédia ocorrida na Indonésia. Mas como estou postando hoje, deixo aqui minha solidariedade a tantas outras, que fizeram vítimas. E meu pedido a Deus, que abrande a Natureza e perdão em sermos nossos próprios carrascos!

A.C.Amorim
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A
   MARÉ

Esse mar imenso de água azul,
forma ondas.
Que na quebra  suas espumas
vem sorrateiras,
umedecer com seus beijos,
a branca areia!
Esperando-a com alegria
e de braços abertos,
recebe a cada volta, na sua amplidão!
A praia sem movimento dos transeuntes,
quase deserta,
abraçados um ao outro
o murmurio quebra
o silencio da solidão!


Novamente a maré escoa,
volta seu curso.
Deixando a areia só ouvindo o canto,
do vai e vem,
que de tristeza entoa!
Na espera do retorno vislumbra,
o grande painel dos amantes.
Unindo-se no horizonte em convexo,
o encontro das águas: céu e mar!


Logo o retorno é infalível,
previsto em euforia.
A onda formada em espuma estoura,
trazendo um espetáculo nunca visto!
Lança-se sobre a areia com frenesi.
E tomando-a para si,
que ansiosamente esperava,
mata a sede e se deixa banhar!
É só um momento breve,
mas intenso.
Sabe que logo estará com suas
angústias,
quando a água retornar,
para esse mar imenso!


A.C.Amorim

quinta-feira, 22 de julho de 2010

TALVEZ
              MULHER

Debruça na varanda e sente o pranto,
rolar furtivamente, umedecendo teu rosto!
Passa a mão para secar e eu garanto,
são lágrimas, que ao ter o pensamento tosco
da noite, que mansa se entregou e amou
                                                           tanto!

Olha para a rua, lembra das brincadeiras,
quando criança corria amparando a peteca!
Em meio as amiguinhas...e as trepadeiras,
que a abrigava do sol ao ninar a boneca!

Ali admirava extasiada...
Tocar de leve na água a lavadeira!

Agora se sente mulher, e uma nuvem ameça,
a felicidade a qual, sua leviandade antecipou!
A chama que ardia aplacou, ficou baça.
E já nem sabe se foi devaneio ou se amou!
Está só e talvez com o tempo desfaça!

Machucaste a alma: Oh! jovem menina!
Tua idade é de criança, mas já és mulher!
Cresce no teu ventre a vida pequenina,
e perde os sonhos, e ainda não sabe o que quer!

Sonha...E sem perceber deixou de se menina,
para ser uma feliz ou infeliz talvez...mulher!

14/02/2006
A.C.Amorim

quinta-feira, 3 de junho de 2010


    LUA

Suave mesmo é a lua
que mansamente vem iluminar,
retirar o véu da noite intensa,
desabrochando uma saudade imensa,
saudade nem sei de quê...

Suave mesmo é a lua
ao iluminar os amantes,
e aflorar na alma o calor
do mesmo amor que sentiu antes;
"Como eu sentia por você".!

Suave mesmo é a lua,
que do alto serve de moldura,
aos jovenzinhos que sonham,
e murmuram um ao outro
que estarão juntos, em vida futura!

Tão suave é a lua,
para o casal há muito unido,
duas vidas inseparáveis, porque
é um casal de ancião.
E a lua com seu feitiço
os fazem, viver de recordações,
relembram e tem saudade
que aperta seus corações!

Pura e suave é a lua:
Acarinhando delicadamente,
alguém sob a marquise,
que dorme profundamente.
E essa mesma lua,
é testemunha de sua mazela.

Suave mesmo é a lua,
ao clarear o caminho do ébrio,
na sua vida tristonha
é mais um solitário que sonha,
um dia ser feliz
e bebe, para fugir do tédio.

Suave mesmo é a lua,
em seu eclipse silenciosa,
desaparece da Terra e volta
em caminhada morosa.

Cobre toda imensidão!...
Onde poetas e romancistas,
viajam além da imaginação.
Ê o efeito de seu brilho,
enfeitiça toda a terra,
hipnotizando com seu clarão!
Esses versos não lembro exatamente a data que foi escrito: mas recordo que foi num dia de eclipse.
fiquei horas com uma radiografia na mão tentando ver o episódio, mas com o tempo nubladfo não deu.
E logo após o eclipse a lua abriu limpa e legível. Confesso fiquei decepsionada mas ao mesmo tempo maravilhada com seu brillho!!


A.C.Amorim

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terça-feira, 18 de maio de 2010

O
    TRONCO
      Inerte e tosco um pedaço de você,
      estirado no chão, marron do tempo
      acho que sentes e chegas a sofrer,
      ali largado, nesse ínfimo contratempo.

Na chuva e sempre molhado,
passa os dias e sem perceber,
que estás ficando desgastado,
e o tempo está a te corroer.

      És roliço e sem querer decorativo.
      Tiram fotos em pose e até sentados!
      Ou algum nervosinho num gesto criativo,
      em sua ira por vingança, és chutado.

Outros se apoiam para amarrar o calçado,
o cadarço solto escoram-se, e até,
alguns achando que é o lugar indicado,
para seu animal fazer o xixi em pé.

      Como sofre esse redondo tronquinho!
      De uma grande árvore que enfeitou,
      alguma calçada, e hoje é só um banquinho,
      e acabar no tempo é o que restou!

A.C.Amorim

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segunda-feira, 10 de maio de 2010























SENHOR
              DO
                   UNIVERSO

Sentei-me no colchão macio
do alvorecer!
E a cabeça apoiada
no travesseiro das nuvens,
sob o azul do céu,
observava as garças brancas
esquecendo a solidão que o ar
emanava!...

Sonhei no infinito
e com o peito oprimido
ouvi os anjos do amor que
cantavam, dando graças
ao Senhor do Universo.

Que filha sou eu?
Se entendo tudo inverso?...

A plenitude da vida merece
cantigas de louvores...
Louvor pela vida...
Louvor pelos minutos,
que nos é concedido...

A cada instante é de Graças...

Sinto-me carregada,
nas horas ásperas
sem que eu ande com meus pés!
Deixo-me levar no colo do
Senhor do Universo!
Porque não vejo as minhas pegadas.

Então acordo e nesse alvorecer,
ainda deitada preguiçosamente,
abraço o travesseiro das nuvens
aí sim...Sinto-me viver!

23/08/06
A.C.Amorim

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Que adianta

De que adianta ter tudo
se contudo a alma está vazia!
Olho para o espelho e mudo,
não transparece nenhuma alegria.

Mergulhada na solidão sem fim,
uno os laços de sonhos às decepções.
Não quero que se apiedem de mim,
porque fugiu-me, as ilusões!

E de que adianta escrever tanto,
se ninguém lê o que escrevi.
Melhor é ficar no meu canto,
e não contar ao mundo, o que sentí!...

16/02/08
A.C.Amorim

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