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domingo, 11 de abril de 2010

           Achei nos meus antigos livros um poema que chamou a atenção. Foi de um poeta que viveu entre (1893 e 1953).
Entre os dados encontrei o seguinte artigo:
 
A queda: simbolo da decadência do homem contemporâneo.

A missão [do poeta], para Jorge de Lima, certamente era a de alertar a humanidade sobre seus descaminhos, desde a Queda.
Em todas as suas obras, são frequentes as imagens e as alusões
a ela e ao Gênesis. Os protagonistas demonstram serem personagens  incompletas existencialmente, autodilacerantes, perdidas, cheias de culpa [...] O homem contemporâneo, na visão de Jorge de Lima, o seria resultado de várias gerações, de erros e desenganos; a síntese das várias quedas, individuais e coletivas, que compõem a história humana.

(Retirado da Folha de São Paulo de 7/11/1993. Do jornalista .Willian R. Cereja.)

A divisão de Cristo

Dividamos o Mundo em duas partes iguais:
uma para os portugueses, outra para os espanhóis:
Vem quinhentos mil escravos no bojo das naus:
a metade morreu na viagem do oceano.
Dividamos o Mundo entre as pátrias.
Vem quinhentos mil escravos no bojo das guerras:
a metade morreu nos campos de batalha.
Dividamos o mundo entre as máquinas:
Vem quinhentos mil escravos no bojo das fábricas,
a metade morreu na escuridão sem ar.
Não dividamos o mundo.
dividamos Cristo:
todos ressuscitarão iguais.

Escrita por: Jorge de Lima
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Na década de 30 os poetas buscavam caminhos
que essencialmente refletissem a condição do homem em seu estar-
no- mundo. E Jorge de Lima junto com seu amigo Murilo Mendes
encontraram uma saída natural a poesia metafísica e religiosa
pois Murilo Mendes um profundo convertido católico.

POEMA
             ESPIRITUAL

Eu me sinto um fragmento de Deus
Como sou um resto de raiz
Um pouco da água dos mares
O braço desgarrado de uma constelação.

A matéria pensa por ordem de Deus.
Transforma-se e evolui por ordem de Deus.
A matéria variada é bela
É uma das formas visíveis do invisível.
Cristo, dos filhos do homem és o perfeito.

Na igreja há pernas, seios, ventres e cabelos
Em toda parte, até nos altares.
Há grandes forças de matéria na terra no mar e no ar
Que entrelaçam e se casam reproduzindo
Mil versões dos pensamentos divinos.
A matéria é forte e absoluta
Sem ela não há poesia.

Escrita por:MURILO  MENDES
(1901-1975)
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