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quinta-feira, 19 de maio de 2011







RIACHO

Riacho raso,
que atravessas todos os dias,
ás vêzes fico para trás me atrazo,
só para ver, você passar
é minha alegria!

Calma como a água que corre
andas na relva macia.
Junto á bica que escorre,
minhas lágrimas de alegria!

Vens como sereia,
ao soltar os seus cabelos.
Mas seu olhar de gêlo,
sei, que ao meu amor és alheia!

Fico feliz só de olhar os seus pés,
pisando nessa água mansa e fria.
Minha cabeça fica ao revés,
e, uma história de amor cria!

Não posso me aproximar,
por ser peão de seu gado.
Não tenho culpa de me apaixonar
e não devo ser julgado!

Olhando todos os dias você,
atravessando esse riacho.
Me realizo, sou feliz ao saber
que não desconfias; eu acho!


A.C.Amorim

quarta-feira, 13 de abril de 2011


















Meus
     Domingos

Passo os domingos olhando
as aves no espaço flutuarem
como pluma a bailarem
na leveza do vento.
Admiro-me observando
mergulharem com destreza
içar o peixe que a natureza
ofereceu como alimento.

A água bate nas pedras
com a fúria da maré
e enquanto volta de ré
leva até meu pensamento.
Ou ás vezes quando se quebra
batendo com fúria possessa
parece fazer a promessa
de me trazer o alento.

Preencho meus domingos
vendo as ondas beijar a areia,
me transformo fico alheia
com essa visão aprazível.
No rosto recebo os respingos
enquanto as aves dançam
outras nas árvores balançam
com equilíbrio incrível!

Extasia-me olhar voarem
sobre o extenso azul do mar
e me pergunto, como seria deslizar
sobre as espumas cor da prata!
Ouço os pássaros cantarem
presentes na nossa Natureza,
são cantores na sua pureza
oferecendo as suas serenatas!

A.C.Amorim
13/102008
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Musica é o
           Som da Vida!
Musica é o que eu ouvia na infância;
O som vibrante dos sapos a bater lata,
os grilos nos ouvidos em constância,
a chegarem nítidos da longíqua mata!

Era o barulho que a lagoa continha,
a saltarem na água; "na cidade é raro".
São lembranças que para sorte minha,
hoje o reviver as lembranças é tão caro!

O vibrar dos ventos ao passar entre os galhos,
o silvar às vezes dava mêdo, causava arrepio!
Encolhia-me sobre o fogão no seu borralho,
e pedia ao vento que parasse com seu assobio!

Música é quando no amanhecer acontecia,
os cantos misturados dos pássaros silvestres.
O qual cada um mostrava sua melodia,
e tudo era belo nessa vida tão campestre!

Os passos indecisos no caminhar pelas trilhas,
que levavam à mata espessa e cachoeiras.
Ouvia mais forte ao aproximar da forquilha,
o ruído das aguas no cair entre as trepadeiras!

As notas musicais da vida na natureza são
o som das águas, o vento e o nascer das flores.
Nessa sinfonia a orquestra exibe a canção,
do som da vida; Entoada por vários cantores!

A.C.Amorim                                     
16/10/2008

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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dúvida

Não sei se amanheço
e esqueço
o que vivi.
Ou cultivo na mente
o que somente
me fez sorrir.
À noite ecoa
a pergunta que soa
me faz elouquecer.
Se terei a sorte
e me sentirei forte
ao amanhecer!
E pergunto  ao vento
se por momento
chegarei ao anoitecer!

A.C.Amorim
07/04/2011

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quarta-feira, 30 de março de 2011





SÃO
      JOÃO

Caminho da procissão
o andor ladeira acima,
sobre o mesmo São João
o povo cantando
sem coro e sem rima.

Em festa as solteironas,
grande número já titias,
preparavam os papéizinhos,
para fazerem as simpatias...

Ao passarem no cemitério
o mêdo de alma penada
era agarrado Seu Eleutério,
até que gostava...Sentia-se
o protetor da moçada!...

Finalmente lagoa chegando.
Prece é feita, terço rezado.
Simpatias, tempo que voa
o santo banhado!
Na inesquecível lagoa!...

Com o caminhar orando,
simpatias e alguém molhado,
voltamos á igreja cantando,
São João comemorado!...
E ninguém com namorado!...

Até hoje na mesma lagoa,
coitado do São João!
Quando a madrugada soa,
no fim da procissão,
com raiva mergulham o coitado
Por não terem desencalhado!

24/09/05
A.C.amorim


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Dança
         do
            Sol

Astro que brilha onipotente!
Sua luz faiscante aquece e germina,
a mais minúsculas sementes,
para a vida como a mesma determina!

Seus fachos resplandecem sobre as copas
das ávores, que balançam com a aragem.
Para se refrescar alguém  galopa,
e para á sombra da imensa ramagem!

Outros á beira mar com o corpo dourado,
recebendo direto seu raio atrevido.
Espalhando reflexos no mar prateado,
das ondas espumantes a se quebrar com alarido!

Ao dispersar sobre a terra o calor...aí ouso,
me espalhar sob o seu manto aquecido,
e deitar estirada me entrego em repouso,
para acalmar os meus sentidos!

Recolhendo-se por trás das colinas distantes,
como um Rei altivo guarda a esperança.
Para de novo com a aurora deslumbrante,
trazer de volta o amanhecer como criança!

A.C.Amorim
12/05/05






           





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terça-feira, 29 de março de 2011





O CARRO
             DE BOI




Eia... carro de boi!

Caminhava pela estrada
gemendo sem parar!
Esse relincho no eixo das rodas,
esqueceram de engraxar!

Menino que tocava
o carro de boi,
era mesmo do mato e foi,
meu amor, minha paixão.
Quando eu ouvia o barulho
de seu carro
saltitava o coração!

Eia...Eia...Eia...
Vamos boi!...

Seu sorriso de caboclo,
mexia comigo e a moçada!
corriamos felizes para ver,
ele passar na encruzilhada!

Eia...Eia...Eia..

Ele sorridente
orgulhoso que enjoava,
de ver tanta moça ardente,
oferecidas
e eu ali nem ligava!

Ciumenta o recebia,
esperando um só olhar!
E o que ele fazia
era o carro de boi tocar!

Eia...Eia...Eia...Boi!...
Eiaaaa...eia...eiaaa...Boi!

30/07/05
A.C.amorim

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