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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dúvida

Não sei se amanheço
e esqueço
o que vivi.
Ou cultivo na mente
o que somente
me fez sorrir.
À noite ecoa
a pergunta que soa
me faz elouquecer.
Se terei a sorte
e me sentirei forte
ao amanhecer!
E pergunto  ao vento
se por momento
chegarei ao anoitecer!

A.C.Amorim
07/04/2011

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quarta-feira, 30 de março de 2011





SÃO
      JOÃO

Caminho da procissão
o andor ladeira acima,
sobre o mesmo São João
o povo cantando
sem coro e sem rima.

Em festa as solteironas,
grande número já titias,
preparavam os papéizinhos,
para fazerem as simpatias...

Ao passarem no cemitério
o mêdo de alma penada
era agarrado Seu Eleutério,
até que gostava...Sentia-se
o protetor da moçada!...

Finalmente lagoa chegando.
Prece é feita, terço rezado.
Simpatias, tempo que voa
o santo banhado!
Na inesquecível lagoa!...

Com o caminhar orando,
simpatias e alguém molhado,
voltamos á igreja cantando,
São João comemorado!...
E ninguém com namorado!...

Até hoje na mesma lagoa,
coitado do São João!
Quando a madrugada soa,
no fim da procissão,
com raiva mergulham o coitado
Por não terem desencalhado!

24/09/05
A.C.amorim


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Dança
         do
            Sol

Astro que brilha onipotente!
Sua luz faiscante aquece e germina,
a mais minúsculas sementes,
para a vida como a mesma determina!

Seus fachos resplandecem sobre as copas
das ávores, que balançam com a aragem.
Para se refrescar alguém  galopa,
e para á sombra da imensa ramagem!

Outros á beira mar com o corpo dourado,
recebendo direto seu raio atrevido.
Espalhando reflexos no mar prateado,
das ondas espumantes a se quebrar com alarido!

Ao dispersar sobre a terra o calor...aí ouso,
me espalhar sob o seu manto aquecido,
e deitar estirada me entrego em repouso,
para acalmar os meus sentidos!

Recolhendo-se por trás das colinas distantes,
como um Rei altivo guarda a esperança.
Para de novo com a aurora deslumbrante,
trazer de volta o amanhecer como criança!

A.C.Amorim
12/05/05






           





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terça-feira, 29 de março de 2011





O CARRO
             DE BOI




Eia... carro de boi!

Caminhava pela estrada
gemendo sem parar!
Esse relincho no eixo das rodas,
esqueceram de engraxar!

Menino que tocava
o carro de boi,
era mesmo do mato e foi,
meu amor, minha paixão.
Quando eu ouvia o barulho
de seu carro
saltitava o coração!

Eia...Eia...Eia...
Vamos boi!...

Seu sorriso de caboclo,
mexia comigo e a moçada!
corriamos felizes para ver,
ele passar na encruzilhada!

Eia...Eia...Eia..

Ele sorridente
orgulhoso que enjoava,
de ver tanta moça ardente,
oferecidas
e eu ali nem ligava!

Ciumenta o recebia,
esperando um só olhar!
E o que ele fazia
era o carro de boi tocar!

Eia...Eia...Eia...Boi!...
Eiaaaa...eia...eiaaa...Boi!

30/07/05
A.C.amorim

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NÃO VOLTAREI
        Á MINHA TERRA

Hoje sinto morrer a esperança,
de regressar a terra de minha origem.
Faço preces e imploro a Virgem,
perdoar-me, pois vim inocente criança!

           Meus ouvidos aguçam ao fados,
           vibra a alma empobrecida na falta,
          do som das guitarras e meu peito salta,
          nos corridinhos, quando vejo os bailados!

Então viajo nos sonhos e em imaginação!
Preencho minha alma vazia na recordação,
a deslocar para querida terra distante!

            Atravesso o mar em sonho e na imensidão,
            da noite profunda e na mesma escuridão,
            me sinto feliz mesmo por um instante!

05/09/2005
A.C.amorim
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Goteira

Goteira teimosa
a escorrer pela telha
morrendo no chão.

Perturba e acorda
resmunga como sempre
o arcado ancião.

Relembra bons tempos
da goteira teimosa,
que através do zinco
molhava o barracão!

E sempre pingando
ou o sol demarcando
como espada o colchão.

E a noite o luar
quando infiltrava
de leve o acariciava
preenchendo a solidão!

Agora resta é contar
os pingos caindo
a memória esvaindo
e de saudade chorar!

A.C.amorim

                            

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sei o que vão dizer: Isto é coisa que se escreva? E pior num blog?
Onde todos lêem? Isto não é tema de poema!
Não, não é poema. Isto aconteceu e marcou bastante.
E um dia  eu estava vagando com meus pensamentos o passado e lembrei
do triste ocorrido!
Peguei um lápis e rascunhei...

JOÃO SÓ


João de que? Ou João só!...


Pára pensativo na estação,
olha para o lado desconfiado.
Não conhece ninguém
fica parado...
João saiu de sua terra e na mala,
algumas peças de roupas e balas,
desembrulha uma, a fome aperta...
Decide... uma coisa é certa.
João caminha, precisa ir em frente,
porque a fome já confunde a mente...
Turva-lhe a visão, sente sede...
onde está a água? Vê uma rede...
     Cuidado moço! Grita em voz aguda...
      É comigo? É minha mãe, mas ela é muda...
"Ah! Estou sonhando, eu vim só!
Deixei minha mãe, mulher e avó...
Quem me acena, ai que dor!"


Ih! Acho que cai! Que calor!...
Olha... um anjo veio me ajudar,
está todo de branco, que doce olhar!...


Naquela estação João era ninguém,
ali nenhum parente...Alguém aparece...
E com a pá retira os restos de João,
sem vintém espalhados no chão!
A rede que João cansado avistara,
era a linha do trem,
a fome o cegara
e terminava sua ilusão!


A.C.Amorim
28/07/2007

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